Depois de muito garimpar pelos sebos e brechós tirei a sorte grande ao encontrar um negativo de vidro. Estes predominaram as técnicas de revelação na segunda metade do século XIX.
Expus o negativo a luz e fotografei circulando livremente pela imagem.
O resultado dessa experiência trouxe à tona esses fractais.
O aparato fotográfico é um invento capaz de registrar o que está desaparecendo.
Ensaios sobre a fotografia Susan Sontag
.Alguns trechos escolhidos.
“A fotografia não é só pseudopresença, mas também símbolo da ausência.
A foto, que brinca com a escala do mundo, pode ser reduzida, ampliada,cortada, retocada, consertada e distorcida. Envelhece ao ser infestada pelas doenças comuns aos objetos feitos de papel; desaparece, valoriza-se, é comprada e vendida; é reproduzida. A foto é um objeto frágil que rasga e se perde facilmente.
A foto é sobretudo rito social, defesa contra a ansiedade e instrumento de poder.
A máquina fotográfica acompanha a vida familiar.
A partir da foto, cada família constrói uma crônica – relato de si mesma – uma coleção portátil de imagens que testemunha sua coesão.
Como um rastro fantasmagórico, a foto nos traz à lembrança a presença simbólica da família dispersa. Um álbum de família inclui geralmente fotos de toda uma família e, muitas vezes, é tudo que dela nos resta.
A foto, ao mesmo tempo em que nos atribui a posse imaginária de um passado irreal, ajuda-nos também a dominar um espaço no qual nos sentimos inseguros.
Vivemos, no momento, uma época de nostalgia, e a foto promove intensamente a nostalgia.
Tomar uma foto é como participar da mortalidade, vulnerabilidade e mutabilidade de uma pessoa ou objeto. Toda foto testemunha a dissolução inexorável do tempo."