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sexta-feira, 13 de junho de 2014

"Para lembrar é preciso esquecer."

Maurice Blanchot.

A partir de algumas reflexões sobre o esquecimento surgiram estas colagens digitais que apresento.Provindas de memórias rasgadas e inseridas em outros não lugares, desejo criar novas possibilidades para que essas imagens ressurjam.








Sobre o processo de construção das colagens digitais
Utilizei algumas fotografias de fundo minhas e do acervo do Sr.Barateza com a sobreposição de negativos antigos garimpados na feira das pulgas na Glória. Após escanear as imagens fiz um tratamento simples,positivando os negativos e experimentando os diferentes tipos de exposição na foto.
.Escrevendo com a luz. 

terça-feira, 3 de junho de 2014

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Lançamento ALICE NÃO MORA MAIS AQUI

Neste domingo a Cozinha Experimental estará lançando o foto-livro (foto-zine, foto-publicação?) ALICE NÃO MORA MAIS AQUI. A primeira publicação de Mia Ludovica pela editora finalmente sai do forno em edição limitada (como prometido).

Agradecimentos especiais à Paula Durand e Carolina Lopez pela ajuda na manufatura das publicações.





 ALICE NÃO MORA MAIS AQUI será lançado no domingo, dia 11, no FIM. Quem quiser aparecer poderá garantir sua cópia desta nova publicação da Cozinha. Conosco estarão também nossos parceiros do Presença, Dodo e Editora Oitoemeio. É no Largo de São Francisco da Prainha, 4, perto da Pedra do Sal.


quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

.:Madrigal Triste:.



Que me importa que saibas tanto?
Sê bela e taciturna! As dores
À face emprestam certo encanto,
Como à campina o rio em pranto;
A tempestade apraz às flores.
Eu te amo mais quando a alegria
Te foge ao rosto acabrunhado;
Quando a alma tens em agonia,
Quando o presente em ti desfia
A hedionda nuvem do passado.
Eu te amo quando em teu olhar
O pranto escorre como sangue;
Ou quando, a mão a te embalar,
A tua angústia ouço aflorar
Como um espasmo quase exangue.
Aspiro, volúpia divina,
Hino profundo e delicioso!
A dor que o teu seio lancina
E que, quando o olhar te ilumina,
Teu coração enche de gozo!
Sei que o peito, que palpita
À sombra de amores passados,
Qual uma forja ainda crepita,
E que a garganta enfim te habita
Algo do orgulho dos danados;
Mas enquanto, amor, no que sonhas
Do inferno a imagem não for dada
E dessas visões tão medonhas,
Em meio a gládios e peçonhas,
De pólvora e ferro animada.
Sempre de todos te escondendo,
Denunciando em tudo a desgraça
E à hora fatal estremecendo,
Não houveres sentido o horrendo
Aperto do asco que te abraça,
Não poderás, rainha e escrava,
Que apenas me amas com pavor,
Nos abismos que a noite escava,
Dizer-me, a voz trêmula e cava:
“Sou tua igual, ó meu Senhor!”

Charles Baudelaire


.Fotografado por Ludovica no leito do Rio Branco, por entre suas entranhas.

sábado, 2 de novembro de 2013

.:alice:.


“Essas pessoas que renascem nas fotografias de modo tão intenso que parece que as imagens delas foram capturadas nas velhas chapas secas de 60 anos atrás. Caminho pelas alamedas, permaneço em seus quartos, barracos e oficinas, olhando sem parar pelas janelas. E aquela gente parece,por sua vez,ter consciência da minha presença.”

Ansel Adams




Um álbum de família

Em mais um de meus passeios noturnos pelas ruas da Lapa me deparo com um grande amontoado de fotografias antigas. Ali jogadas no chão ao relento! Recolhi as fotos e pude notar que eram retratos de família.
Busquei encontrar algumas pistas nas fotos, como datas,fotógrafos, nomes enfim após essa pequena pesquisa descobri muito pouco.
Apresento a menina Alice. Nesses pequenos frames poderemos acompanhar parte de seu crescimento junto a familiares e amigos.
Pelas datas que consegui apurar, Alice foi registrada ao longo de aproximadamente 15 anos. Sua infância foi registrada a partir de 1938 e percorremos através desses fractais até 1955.
Nesses breves recortes, a menina Alice vive suas fantasias, suas feições mudam, seus pais envelhecem e suas imagens desvanecem.
   
                     >>Em breve será lançado o zine com o acervo recolhido na íntegra<< 


   












quarta-feira, 21 de agosto de 2013

"Mostrar o que não está é uma forma de conseguir ver?"






Joaquim Manuel Magalhães, A poeira levada pelo vento (1993)


   
.Experimento com o corpo em movimentos atravessados pela luz, através do tempo.









                                                                                                                                                                                                                                                                               
Bright,
bright
day

  .Tarkovsky book.


PHOTOGRAPHY, 1957

A fine wind blows into the heart,
And you fly headlong on,
While love within the roll of film
Holds the soul fast by its sleeve.

Bird-like she steals grain by grain
From oblivion – and now?
She does not let you fall to dust,
Even dead you’re still alive –

Not wholly but a hundredth part,
In muted tone or sunk in sleep,
As if you wandered through some field
In a land beyond our ken.

All that’s dear and seen and living
Makes the same flight as before,
Once the angel of the lens
Has your world beneath his wing.

Arseniy Tarkovsky



segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Feira de arte impressa pãodeforma - SUCESSO TOTAL



Confira algumas fotos da Editora e dos nossos parceiros do selo Presença na feira de arte impressa PÃODEFORMA. Entre outros impressos e publicações, o lançamento do BREVES DESATINOS foi ótimo e voltamos pra casa sem nenhum exemplar para contar história.

O evento foi incrível, não apenas para nós, mas me parece que para todos os participantes e visitantes. Muitas editoras pequenas e independentes com trabalhos sensacionais. Esta feira foi um grande incentivo à produção de novas publicações e nos mostrou que há espaço e público para publicações e impressos diferenciados e alucinados. Parabéns ao pessoal da Editora A BOLHA e ao pessoal da COMUNA, que organizaram o evento. Esperamos ansiosos a próxima edição.

















sexta-feira, 9 de agosto de 2013

FEIRA PÃODEFORMA - neste sábado e domingo


No próximo fim de semana o Presença estará junto com a Editora Cozinha Experimental participando da feira de publicações independentes Pão de Forma.
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10 e 11 de agosto / 15 h às 22 h

Rua Martins Ferreira 28, Botafogo, Rio de Janeiro.



PÃODEFORMA é uma feira de arte impressa, de livros, zines e múltiplos 



gostosos e independentes, que pretende dar visibilidade a novos trabalhos 



e/ou à produção editorial que dificilmente seria encontrada dentro de 



um circuito comercial.



/ uma inciativa da Comuna & A Bolha Editora /






Durante o evento será lançado uma publicação da parceria PRESENÇA e Cozinha Experimental. O zine BREVES DESATINOS acaba de sair do forno. Confira algumas fotos do processo e vá buscar o seu.

























segunda-feira, 8 de julho de 2013

.:. Pequenos Poemas Em Prosa.:.

XXXV

          .:As Janelas:.

Aquêle que olha,da rua, através de uma janela aberta, jamais vê tantas coisas como quem olha para uma janela fechada. Não existe nada mais profundo, mais misterioso, mais fecundo, mais tenebroso, mais deslumbrante, que uma janela iluminada por uma lamparina. O que se pode ver ao sol nunca é tão interessante como o que acontece por trás de uma vidraça. Naquele cantinho negro ou luminoso a vida palpita, a vida sonha, a vida sofre.                     Para além das ondas de telhados, diviso uma mulher mais madura, enrugada, pobre, sempre debruçada sôbre alguma coisa, e que nunca sai de casa. Pela sua fisionomia, pelas suas vestes, por um gesto seu, por um quase-nada, reconstituí a história dessa mulher, ou antes, sua lenda, que às vezes conto a mim próprio, a chorar. Se fosse um pobre velho, eu lhe teria reconstituído a história com a mesma facilidade. E vou deitar-me, orgulhoso de ter vivido e sofrido em outras criaturas. Haveis de perguntar-me, agora: - "Estás certo de que esta lenda seja a verdadeira?" Que importa o que venha a ser a realidade colocada fora de mim, se ela me ajudou a viver, a sentir o que sou, e o que sou?                                                                                   
Charles Baudelaire
Coleção Rubáiyát
Tradução de Aurélio Buarque de Hollanda



     

segunda-feira, 20 de maio de 2013

:: Experimento 01 com xilogravura ::
















" Da cássia, um galho ergue-se à lua,encontra a névoa
Vermelho à chuva: ao rio,mil pessegueiros brotam
À frente, ofertam vinho; aceita, enche teu copo:
são alegrias e dor unidas pelos séculos"



Yu Xuanji,
Monja-poetisa taoista e cortesã chinesa da antiga Dinastia Tang .618-905d.C.
.:Este é um dos fragmentos dos 48 poemas que permaneceram até os dias de hoje:.

Poesia completa de Yu Xuanji, publicado pela editora unesp com a tradução de Ricardo Primo Portugal e Tan Xiao.

Confira Aqui outra poesia de Yu Xuanji











                              

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

.:A quem interessar possa:.



Depois de muito garimpar pelos sebos e brechós tirei a sorte grande ao encontrar um negativo de vidro. Estes predominaram as técnicas de revelação na segunda metade do século XIX.
Expus o negativo a luz e fotografei circulando livremente pela imagem.
O resultado dessa experiência trouxe à tona esses fractais.

O aparato fotográfico é um invento capaz de registrar o que está desaparecendo.













Ensaios sobre a fotografia Susan Sontag

.Alguns trechos escolhidos.



“A fotografia não é só pseudopresença, mas também símbolo da ausência.
A foto, que brinca com a escala do mundo, pode ser reduzida, ampliada,cortada, retocada, consertada e distorcida. Envelhece ao ser infestada pelas doenças comuns aos objetos feitos de papel; desaparece, valoriza-se, é comprada e vendida; é reproduzida. A foto é um objeto frágil que rasga e se perde facilmente.
A foto é sobretudo rito social, defesa contra a ansiedade e instrumento de poder.
A máquina fotográfica acompanha a vida familiar.
A partir da foto, cada família constrói uma crônica – relato de si mesma – uma coleção portátil de imagens que testemunha sua coesão.
Como um rastro fantasmagórico, a foto nos traz à lembrança a presença simbólica da família dispersa. Um álbum de família inclui geralmente fotos de toda uma família e, muitas vezes, é tudo que dela nos resta.
A foto, ao mesmo tempo em que nos atribui a posse imaginária de um passado irreal, ajuda-nos também a dominar um espaço no qual nos sentimos inseguros.
Vivemos, no momento, uma época  de nostalgia, e a foto promove intensamente a nostalgia.
Tomar uma foto é como participar da mortalidade, vulnerabilidade e mutabilidade de uma pessoa ou objeto. Toda foto testemunha a dissolução inexorável do tempo."









sábado, 27 de outubro de 2012

et j'oublie, j'oublie...

Buscando em meio aos meus achados estes negativos vieram a tona. Lembranças partidas querem contar algo, há muito perdido. E que não se revelam ao primeiro golpe de vista. Os negativos estão se desfazendo. Sua matriz não perdurará. Esses pequenos flagrantes, suspensos no tempo-espaço não ficarão para eternidade. Essa atual necessidade compulsiva de capturar todo e qualquer instante para poder arquivá-los digitalmente para posterioridade aponta para uma ansiedade e medo do esquecimento.  
O esquecimento abre espaço para outros olhares. Outras histórias.









sexta-feira, 28 de setembro de 2012

.lançamento Poesias Pornográficas.

Confira um pouco do que rolou nesse encontro da moçada

                           .
                           .
                           .


A publicação é uma parceria entre o Presença e a Editora Cozinha Experimental, organizado por William Galdino e Barateza Duran e ilustrado por Iuri Casaes e William Galdino.